O que é a Demissão Silenciosa e quais as suas consequências no mercado de trabalho?
- Quézia Monteiro
- 26 de out. de 2022
- 2 min de leitura
Nos últimos anos, principalmente a partir da pandemia de coronavírus, começamos a perceber um novo comportamento do trabalhador, sobretudo na faixa até 30 e poucos anos. Essa mudança foi tão impactante no mercado de trabalho e na vida pessoas que recebeu grande atenção da mídia e ganhou um nome próprio: Quite Quiting que, traduzindo, poderia ser chamado Demissão Silenciosa.

O Quite Quiting consiste basicamente na tendência dos funcionários de realizar apenas e tão somente as funções definidas no contrato de trabalho, movimento esse que acaba indo na contra mão da cultura da produtividade a todo custo, adotada pela maioria das empresas tradicionalmente. Exatamente por esse motivo, ainda existe grande polêmica em torno do assunto.
Durante a pandemia, período em que houve uma explosão de crescimento do trabalho, muitos trabalhadores perceberam que era possível cumprir suas funções sem a necessidade de estar presente num local físico, empreendendo todo o esforço e desgaste que era feito no "mundo normal do trabalho". A iminência de contrair o vírus e possivelmente ficar com a vida em risco também fez muitas pessoas refletirem sobre os rumos da própria vida, repensando a viabilidade de se manter num trabalho onde não há preocupação com o bem estar do funcionário.

Todas essas questões foram gerando essa nova mentalidade, que teve sua primeira grande expressão em estabelecimentos comerciais nos Estados Unidos que, em um certo momento, se viram com escassez de mão obra, já que os jovens trabalhadores já não queriam mais se sujeitar a jornadas longas e extenuantes.
Hoje já se conhecem empresas de tecnologia que incentivam os trabalhadores a executarem o mínimo das suas obrigações contratuais a fim de priorizar o bem-estar e a saúde mental. Aqui constata-se o enfrentamento de valor do trabalho como prejudicial à qualidade de vida, afirmando que o trabalho não é sua vida e seu valor não pode ser determinado em relação à sua produtividade.
Mas o quiet quitting não significa necessariamente o abandono do trabalho por meio de pedido de demissão. Pode ser uma forma de se demitir sem abandono do trabalho, mas reduzindo as tarefas aos limites do que fora contratado, sem se envolver em dinâmicas de altas performances.
A pergunta agora é se essa tendência será capaz de transformar as relações trabalhistas ou, ainda, qual o significado relevante que se poderia aprender com esse movimento. A primeira interpretação que fica é a de que se trata de um movimento que tende a transformar as relações trabalhistas pelo cuidado e pela preservação da saúde mental, procurando limitar o tempo de trabalho e equilibrando com os momentos de dedicação aos prazeres da vida fora do trabalho.
Em segundo plano, coloca em questionamento os modelos tradicionais de competição interna nas empresas em busca de maior produtividade, muitas vezes causadores de doenças mentais decorrentes do chamado burnout, uma espécie de esgotamento físico e mental relacionados ao trabalho excessivo.
As empresas deverão se adaptar aos novos anseios dos trabalhadores e rever os padrões de produtividade até então baseados essencialmente na presença do local de trabalho, proporcionando melhores condições para atrair talentos e estabelecer regras claras inclusivas e que privilegiem a saúde mental dos trabalhadores, porém, preservando as metas de produtividade.
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